domingo, 9 de junho de 2013

Eu e o mundo

Eu perdi as contas das vezes que disse que estava bem, feliz e vivendo exatamente do jeito que queria viver. Aquele papo todo de pessoa pseudo bem-resolvida que finge que o mundo não influencia na maneira como se veste, pensa, sente. É que o mundo é tão externo e particular. Não o conheço o suficiente para saber como é que meu pé vai marcar o chão e, menos ainda, como é que ele vai me marcar. Quer solução melhor do que dizer - e acreditar - que está tudo bem, tudo no lugar que deveria estar? Contar mentira do pior tipo: daquelas que a gente acredita e repassa por ai. 

É que quanto mais "não" o mundo disse pra mim mais "não" eu quis dizer pra ele. E eu acreditei que poderia competir com tudo aquilo que me é externo, aquilo que não controlo. Achei que poderia me diferenciar de tudo aquilo que está de fora. E como éramos duas entidades distintas eu pediria a separação e cada um seguiria sua vida independente, traçaria o seu próprio caminho e não olharíamos para trás.

Foi no meio dessa ilusão tão concreta que eu encontrei você. E de repente eu não queria mais ser distante de tudo, se tudo incluía você. Eu liguei pro mundo e pedi para ele me perdoar, para a gente fazer as pazes. É que quando eu olhei nos seus olhos percebi que o mundo me atravessava, que eu fazia parte dele e ele de mim. Só eu sei o esforço que foi para admitir que talvez eu não fosse assim, tão bem resolvida, e que eu queria que algumas coisas fossem diferentes e, sozinha, eu não estava dando conta de transformá-las.

Agora eu estou aqui, diante de você, dizendo para que você deixe que o seu mundo se entrelace com o meu  e te convidando para fazer parte de mim. Eu sei que nossos caminhos aparentam ser linhas paralelas correndo para lados opostos, e que eu não sou exatamente aquilo que você pensou encontrar em uma mulher e que, aliás, nesse momento você não pretende nem estar acompanhado para dormir ou ir jantar. 

Eu sei que não li nem metade dos livros que você leu, que meus hábitos noturnos divergem quase que completamente dos seus, não consigo te acompanhar na cerveja e odeio aqueles lugares que você costuma ir. É que quando eu liguei pro mundo, ele me contou um segredo: disse que não podia deixar você escapar e que, na realidade, duas paralelas podem se cruzar em uma esquina qualquer. Nós não fomos feitos um para o outro e é exatamente isso que me encanta em você. 

5 comentários:

Gustavo disse...

verdade..as vezes a gnt coloca umas mascaras que nao deveria..ser nos msm eh a melhor coisa

Cássio Ponte disse...

Gostei do texto, mané! É como ir pra Poça Rodrigo de Freitas, refleti sobre varias paradas.

Concordo com o Gustavo ae.

O que mais me seduz é: "nós não fomos feitos um para o outro e é exatamente isso que me encanta em você". Desde menor sou assim hahaha

Daniel disse...

Muito bonito! Achei muito bem escrito e me identifiquei bastante
Continue assim!

Camilla disse...

Adorei o texto, gata.
Concordo com você que é muito difícil aceitar as marcas do mundo em nós. É assumir algumas delas, mas faz parte do duro crescimento!

Sophia disse...

As paralelas se cruzam no infinito e bem,como diria Renato Russo: "infinito é realmente um dos deuses mais lindos"

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