segunda-feira, 1 de julho de 2013

Um motivo para não ir embora

Eu não sei se é a forma como você me olha nos olhos quando diz que me ama, ou como não resiste aos meus beijos no pescoço. Talvez seja a maneira como, imersos no silêncio, me deito em você e sinto nossos corações batendo em sintonia ímpar; o seu sorriso tímido e a forma como olha para baixo quando te faço um elogio; o fato de não me deixar dormir brigada com você, pois não suportaria a ideia de fechar os olhos e não poder focar nas minhas curvas e somente nelas. Quem sabe não é a forma como minhas mãos se entrelaçam nas suas e se comunicam sem precisar de auxílio algum da consciência? 

De repente são seus músculos que abrigam movimento e me sustentam tantas vezes, de tantas formas, em tantos lugares. Ou o seu sustento emocional mesmo: como tenta apagar as minhas lágrimas com frases estúpidas e como meu sorriso falso é o sinal perfeito para te fazer esquecer as palavras e me abraçar como só você sabe. Eu acho que é como você mexe a boca respirando fundo - e discreto - quando quer chorar e se controla para não demostrar seu lado frágil, nem quando sou áspera. Ou será que é quando suas lágrimas escorregam pelo rosto como carro sem freio na serra em dia de chuva?

Talvez seja o som que você faz ao acordar como quem espreguiça as cordas vocais junto com o resto do corpo. Ou a forma boba como fazemos caretas e achamos graça de tudo como se fossemos duas crianças. De repente é a inocência do seu olhar, ou a malícia de suas mãos; as noites espremidos na parede como se não tivéssemos a cama inteira só para nós. Pode ser porque você conhece todas as minhas expressões e não consigo esconder de você nem as surpresas de aniversário.

Eu não sei, mas pode ser que seja pela camisa da sua banda preferida que já me serviu de pijama tantas noites, ou pelos seus olhos quando me vêem usando somente ela e nada mais. Acho que é pela dor que sinto no abdômen cada vez que me faz rir até não saber mais o motivo. Ou pelo sua falta de jeito para dançar - que você cisma em dizer que me envergonha. E como você se afeta quando me despeja suas palavras amargas, difíceis de engolir sem fazer careta, que fogem de um dia estressado ou de uma besteira impensada que fiz. Talvez seja somente pelo que você desperta em mim. Ou porque, se eu for, tudo isso será lembrança e nada mais. 

4 comentários:

Camilla disse...

Penso em vários pra não ir emboraç gata <3 haha

Paula Mata disse...

Fofo, migs! Gostei especialmente do incício, da descrição. Ps: Camilla se garantindo ali hauhsauhauha

Paula Mata disse...

*início

Beatriz Felix disse...

Já andei lendo uma meia dúzia de textos seus aqui e até hoje não me manifestei; são ótimos. Sinto muita sinceridade, pouca afetação e pouca pretensão. Essa leveza confessional nas suas histórias, isso prende muito. Voltarei mais vezes :)

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