domingo, 1 de junho de 2014

Por só estarmos distraídos

Eu te coloco nos meus textos que é pra ver se você ganha forma. Tá certo que a gente combinou que o que a gente sente é muito mais importante do que os outros dizem que a gente é, ou do que nós mesmos dizemos ser. Mas é que às vezes vem aquela vontadezinha de te definir em algo. De dizer - pra mim mesmo - que somos uma forma fechada. A gente combinou que rótulos acabam com a magia e lemos Clarice juntos decidindo estar para sempre distraídos. É que tem hora que eu começo achar que nossa distração já tá virando nome e me dá vontade de fazer diferente. 

O combinado era ser sincero e falar sempre a verdade. É que tantos outros já te mostraram que não falar a verdade é jogar e a gente quer é viver. Eu só posso te dizer que a sinceridade não me falta; que minhas palavras para você são sempre honestas, mesmo que isso te mostre os meus pontos mais fracos. É que cê mal sabe como foi difícil te dizer o quanto gosto de você e como tô aberto pra deixar esse sentimento se espalhar pelos meus poros. 

Mas é que a verdade das palavras não é a verdade do mundo. E, às vezes, meu corpo tem vontade de agir diferente do que eu digo que quero ou do que concordei com você que seria o melhor. É que minha mão vai de encontro a sua enquanto meus braços clamam por ter seu corpo entre eles e a palavra sai pra calar o beijo. 

É que andar distraído é poder tropeçar. E nosso caminho já tá ficando reto demais, liso demais, certo demais. Eu tô querendo entortar e dar pra gente um nome que nos deixe esbarrar nos limites que ele mesmo produz e cair em cima do outro que também podemos ser.

2 comentários:

Paula Mata disse...

Que foda! Depois me apresenta a referência à Clarice? Bonito ver ela sendo citada sem os malditos clichês rs! Beijão

livia laila disse...

Nossa.. sensacional!!!!

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