segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Despindo-se

Bota essa calça e se despe. É que já conheço todas as curvas dos seus músculos e seu tom de pele. Já sei como a coxa fica branca daquelas bermudas que você usa pra pegar sol. E conheço suas cicatrizes, suas tatuagens, seus pontos fracos. A cosquinha que você sente aqui bem perto das costelas só de tocar os dedos com mais sensibilidade. A respiração que muda quando você se excita e o olhar de quando me deseja. Já conheço...

Então, te peço, coloca essa roupa toda. Se for preciso cobre até a cabeça. Apaga a luz, deixa tudo escuro, me venda... E se afasta lentamente que eu quero sentir você se aproximar. Aí, você larga essa vergonha, esse receio, esse medo, essa dúvida e se despe, totalmente, até não sobrar mais nada. E me conta da sua família, do seu dia, dos seus planos. E me chama; me chama pra fazer parte.

É que se você pedir eu tiro a roupa que me cobre, sem calma, de uma vez, e tiro o sorriso que disfarça, as palavras que distraem. E deixo você olhar pra mim assim, exatamente como eu sou: cheia de complicações, paranoias e medos. É que eu cansei de dizer pra você ir embora antes de todo mundo acordar e, talvez, queira mesmo passar um café pra você de manhã e te convidar para almoçar.

Eu me dispo de tudo que te afasta, que te diz não e destrói os sonhos. Se despe também e se veste de mim. 

4 comentários:

Anônimo disse...

Me vesti de orgulho da autora. Texto forte! Beijo, amigata.

Nathalia disse...

"Apaga a luz, deixa tudo escuro, me venda."

Mais sensual que Madame Bovary :p

Curti!!

Paula Mata disse...

<3

Anônimo disse...

lindo. sincero. gratidão.

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